

Este encontro reúne especialistas e produtores de Vinho do Porto, Jerez e Madeira — três referências incontornáveis no panorama mundial — para uma reflexão conjunta sobre os seus percursos, singularidades e desafios.
• os seus percursos históricos comuns e a influência britânica na afirmação internacional destes vinhos;
• o papel determinante do envelhecimento como factor diferenciador;
• e os desafios futuros enfrentados por estes três vinhos fortificados de referência mundial.



Sara Matos é wine educator, fundadora da The Wine House e uma das vozes mais influentes na educação do vinho em Portugal. Licenciou-se em Relações Internacionais pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e concluiu um mestrado em Gestão e Desenvolvimento em Turismo pela Universidade de Aveiro.
Ao terminar o mestrado, o seu orientador estava a colaborar com a Comissão da Bairrada num plano de turismo para a região, onde conheceu o engenheiro Luís Pato — que se tornaria o seu futuro chefe. Trabalhou como gestora nos Vinhos Luís Pato durante cerca de nove anos, entre 2007 e 2016. Durante esse período, completou uma pós-graduação em Enologia na Universidade Católica Portuguesa, no Porto, e realizou uma vindima na Austrália, na Mac Forbes, no Vale do Yarra.
Foi em 2020 que abriu a The Wine House, uma escola de vinho em Coimbra, descrevendo o projeto como “um pouco egoísta” porque simplesmente adora estudar. Desde maio de 2021, a The Wine House é um Approved Programme Provider (APP) da WSET, disponibilizando as qualificações de nível 1 e nível 2 em vinho desta prestigiada entidade internacional. É também formadora certificada de Vinho do Porto e Madeira pelo IVDP.
É bolseira da Women of the Vine & Spirits Foundation, provadora regular da Revista de Vinhos, co-fundadora da marca de vinho Defio e co-organizadora do Glu Flu – Wine Festival. Com a Defio, lançou o primeiro vinho tranquilo natural em lata em Portugal, em parceria com a sommelière Ana Sofia Oliveira.
Em 2026, foi convidada pela primeira vez para integrar o painel de juízes dos Decanter World Wine Awards, um dos mais prestigiados concursos vinícolas do mundo.
César Saldaña é economista e desenvolveu quase toda a sua carreira profissional nos âmbitos da comercialização internacional de vinhos e da representação sectorial. Desde outubro de 2020 é o Presidente do Conselho Regulador das Denominações “Jerez-Xérès-Sherry”, “Manzanilla-Sanlúcar de Barrameda” e “Vinagre de Jerez”, instituição à qual se incorporou no ano 2000 como Diretor-Geral. Anteriormente, e durante mais de quinze anos, ocupou diversos cargos executivos nas adegas González Byass e Sandeman (tanto em Jerez como no Porto). Desde 2010 é também o Diretor-Geral do Conselho Regulador do Brandy de Jerez, após a integração das estruturas operativas dos dois conselhos reguladores de Jerez.
Preside ainda a Conferência Andaluza de Denominações de Origem e Indicações Geográficas Protegidas (CADO), bem como a Associação da Rota do Vinho e do Brandy do Marco de Jerez, projeto enoturístico que agrupa oito municípios da província de Cádis e cerca de 100 empresas. Em outubro de 2024 foi igualmente eleito vice-presidente da AREPO, a Associação Europeia de Regiões com Produtos de Origem.
É autor de “El libro de los Vinos de Jerez”, publicado em abril de 2022.
Ricardo Diogo Vasconcelos de Freitas é o rosto da terceira geração da Vinhos Barbeito, empresa familiar fundada em 1946 pelo seu avô, Mário Barbeito de Vasconcelos, na ilha da Madeira. Licenciado em História pela Universidade de Lisboa nunca perdeu a alma historiador e explica como ninguém a história deste vinho tão antigo.
Quando entrou para a empresa da família em 1989, ao lado da mãe, Manuela Vasconcelos, não tinha noção do que viria a acontecer. A partir de 1993, assumiu a responsabilidade pelo planeamento das áreas de produção da Vinhos Barbeito, incluindo a vindima e os lotes.
Com Ricardo à frente, a Barbeito passou a oferecer exclusivamente vinhos produzidos pelo método tradicional de canteiro — sem aquecimento artificial em cubas —, com períodos de envelhecimento adicionais e sem adição de caramelo nem desacidificação. A empresa foi também a primeira produtora de Vinho Madeira a converter toda a sua produção para vinhos engarrafados, em 1993. Le Sommelies Inc
Em 2001, tomou a decisão de eliminar completamente o uso de caramelo para escurecer a cor dos vinhos, quebrando uma tradição muito antiga. Os vinhos passaram a ter aromas e cores diferentes, ficando mais secos, com maior ênfase na acidez — que Ricardo considera uma característica essencial do Vinho Madeira.
Ricardo Diogo foi também pioneiro na reabilitação de castas esquecidas: os quatro primeiros vinhos com Tinta Negra no rótulo, na história do Vinho Madeira, foram seus. Resgatou igualmente a casta Bastardo, extinta na Madeira desde os anos 1970, depois de um viticultor parceiro ter começado a plantá-la em 2004.
As suas “Signature Madeiras” são produzidas em pequenos lotes, a partir de vinhas históricas, castas esquecidas ou produtores de excelência, combinando a tradição clássica com a busca pela pureza e pela expressão do terroir. Este estilo levou a crítica britânica Jancis Robinson a apelidar a Barbeito de “o Lafite do Madeira”. Rare Wine Co.
Ricardo colaborou também com outros produtores de referência, tendo realizado lotes conjuntos com Dirk Niepoort e Susana Esteban, entre outros. Grandes Escolhas
No plano dos reconhecimentos, foi eleito Produtor do Ano pela revista Wine em 2013, e recebeu vários Prémios de Excelência da Revista de Vinhos, nomeadamente para o Mãe Manuela Malvasia 40 Anos (2013), a Malvasia 20 Anos Ribeiro Real (2015) e o Bastardo Avô Mário 50 Anos (2018). Vinhosbarbeito
Considerado por muitos o produtor mais dinâmico e inovador da Madeira, Ricardo Diogo é hoje uma figura incontornável no panorama mundial dos vinhos generosos, tendo desempenhado um papel decisivo na valorização e no renascimento do Vinho Madeira nos mercados internacionais.
David Guimaraens nasceu a 13 de outubro de 1965, no Porto, e representa a sexta geração da família Guimaraens ligada ao negócio do Vinho do Porto. O seu pai, Bruce Guimaraens (falecido em 2002), foi uma figura icónica da indústria, responsável pelos lendários vintages Fonseca 1963 e 1966, entre outros.
A sua primeira vindima foi em 1973, aos oito anos de idade, ao lado do pai. Aos dezanove anos, o pai enviou-o com um bilhete de ida para a Austrália, para estudar enologia, compreendendo que viajar para o Novo Mundo permitiria ao filho combinar o conhecimento tradicional português com uma visão mais moderna da vinificação. David estudou enologia no Roseworthy Agricultural College, na Austrália do Sul, tendo adquirido experiência prática também na Califórnia e no Oregon.
Regressou a Portugal em 1990 para integrar as equipas de produção da Taylor Fladgate e da Fonseca, e desde 1991 desempenha um papel central na produção dos vinhos do grupo e no desenvolvimento das suas adegas e vinhas. Como Diretor Técnico e Enólogo-Chefe da The Fladgate Partnership, é responsável pela produção da Taylor’s, Fonseca, Croft e Krohn.
O trabalho de investigação e desenvolvimento levado a cabo sob a sua liderança resultou em nova tecnologia de vinificação que melhorou significativamente a qualidade dos vinhos produzidos a partir das uvas dos produtores parceiros do grupo. É também orgulho seu ter criado, com o seu colega viticultor António Magalhães, a primeira vinha orgânica do Vale do Douro, na Quinta do Panascal da Fonseca.
Amplamente considerado um dos maiores enólogos da sua geração no mundo do Vinho do Porto, David Guimaraens encarna a continuidade de uma família que, ao longo de dois séculos, ajudou a construir a reputação da Fonseca como uma das mais prestigiadas casas do Douro.























Paulo Russell-Pinto é uma figura de referência no universo do Vinho do Porto e do Douro, tendo desenvolvido a sua carreira no Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), onde desempenha funções de provador oficial e tem responsabilidades na área da comunicação e marketing institucional.
É Chefe do Serviço de Comercialização e Marketing do IVDP, instituição pela qual tem representado Portugal em eventos internacionais de referência. Nessa qualidade, foi o único orador estrangeiro convidado na 12.ª edição da Conferência de Marketing de Vinhos da Hungria, realizada em Sopron, onde apresentou as boas práticas portuguesas no marketing de vinhos e os sucessos da vitivinicultura no Douro — um modelo que os organizadores húngaros consideraram relevante pelo paralelismo existente entre os dois países em termos de dimensão, população e tradição de vinhos generosos. DecanterDecanter
Como provador do IVDP, Paulo Russell-Pinto é também uma voz ativa na promoção de novas formas de consumo e comunicação do Vinho do Porto, defendendo a necessidade urgente de “desritualizar” o generoso do Douro e torná-lo mais acessível às novas gerações. Na sua perspetiva, o futuro do setor passa por vender com maior valorização — “vender mais caro, mesmo que isso implique vender menos” — sem nunca comprometer o prestígio que o Vinho do Porto construiu ao longo de séculos. LinkedInLinkedIn








